segunda-feira, 8 de agosto de 2022
quarta-feira, 18 de maio de 2022
na bruma leve das paixões que vem de dentro, eu não sei se tu vens chegando, ou se chegará, ou se existe. o turbilhão de sentimentos sossegou, e não sei entender se faz sentido tudo isso. o caos interno, virou quietude. será isso a tão sonhada paz que se fala? não pode ser, o caos sempre foi meu amor mais profundo e duradouro. acabou? ou é só o começo de algo que vai me transmutar no que eu realmente quero e preciso ser? minha parte controladora adoraria ter todas as respostas, mas a Alice, que ainda permanece aqui dentro, me diz que todo caminho é um caminho bom se não sei o destino. e talvez eu precise não saber, por um tempo. o não saber já me tornou muitas coisas, agora vai me tornar a junção do meu eu com meus comigos. eu espero, eu acredito, eu vou.
sábado, 2 de abril de 2022
intenso
terça-feira, 4 de maio de 2021
a sinestesia mudou tão rapidamente que perdi o fôlego. não sei se há responsabilidade de alguém com relação a isso, mas aconteceu. não sei se consigo distinguir o estar bem com estar anestesiada. mas, ao mesmo tempo, achei que se isso acontecesse eu perderia completamente minha fé na entrega. e, apesar dos momentos iniciais em que a tentativa foi de se desesperar com calma, a fé permanece intacta. caramba, o lembrete diário de ser quem sou tem funcionado. e sendo bem honesta, o laranja reapareceu (como amor antigo, permanece). com alguns pedaços de mim espalhados por caminhos que não necessariamente voltarei a trilhar, o laranja me ilumina.
não sei por quanto tempo, mas tem me fortalecido. não sou muralha, mas me mantenho inteira. até que alguém tome meu coração nas mãos novamente. e eu queria tanto que esse alguém fosse eu, permanentemente. mas vezenquando alguém vai trazer encanto pra vida, e tá tudo bem. isso sim, posso afirmar com certeza que está bem.
sábado, 1 de maio de 2021
a sinestesia toma conta de minha mente, e não sei mais dissociar as cores que vejo, os cheiros que percebo, de tudo o que sinto. talvez me tornei uma acumuladora de sentimentos, porque certas sensações são difíceis de serem deixadas de lado. mas a vida e as cores me ensinaram que é possível organizar esses sentimentos pra que não sejam tão latentes. e das mil opções que pude escolher (ou ser escolhida), hoje estou azul. independente do que isso significa efetivamente, sou azul. e já não dói tanto reconhecer isso. que a sinestesia que me trouxe o azul, possa trazer a você também. ele é lindo visto daqui.
um mundo inteirinho azul e o menino azul incluído. que ironia do destino, pra quem sempre preferiu o laranja. deixa as cores virem como devem vir, cada qual a seu tempo, digo a mim mesma. como quem precisa de um lembrete constante que a entrega assusta, mas vale a pena.
segunda-feira, 26 de abril de 2021
Alice (parte dois)
Alice agarrou-se ao que conhecia, afim de não perder-se no universo de existências. Havia aceitado seu destino: iria morrer. Mas algo aconteceu, que nossa pequena não soube explicar para todas as milhões de pessoas que a indagaram: até que ponto você se desfez e pôde retornar? Não soube dizer, mas sentia. Profundamente, claramente, sentia. E isso bastava para provar que permanecia, que tinha significação; que no fim, ainda tinha a sua existência. Seus diversos mundos ainda eram atrativos a ela, mas estavam diferentes. Até que ponto a jovem conseguiria suportar novamente o peso em suas costas? Não poderia assumir novamente esse compromisso, não depois do que sentiu em sua pele. E agora, marcada pelo tempo, se questionava os porquês de ainda permanecer.
Tudo era muito confuso para Alice. Tinha um universo inteiro à sua disposição, mas não havia coragem alguma para decidir o que queria, e isso a assustava. O mundo pertence aos corajosos, pensava, e questionava de si para si onde poderia fincar raízes. Apesar de tudo que viveu, nossa menina ainda queria pertencer. Precisava, com todas suas forças, construir o que viria a chamar de seu pequeno espaço no mundo. Achava que, se ocupasse muito espaço, incomodaria a todos. E por isso, novamente aceitava a sua pequenez, escolhendo se encaixar da maneira que fosse, pra não se perder novamente.
As vozes ainda estavam ali, à espreita de um tropeço no caminho de Alice, para tomar conta de si novamente. Esse processo era inconsciente a algum tempo e mesmo assim, a menina não havia se acostumado. Seu mundo seguia sendo vários, pois não conseguia (não queria) estabelecer um rumo certo. E permitia que seus diversos eus tomassem a frente, por falta de opção. No fundo, ela gostaria que as coisas fossem mais simples. Mas pra quem tem o coração em pedaços, nunca é. Alice sentia demais, e por isso permanecia, sem necessariamente permanecer. Tudo ainda era muito confuso, e Alice aceitou a confusão. Abraçou-a para não ser engolida pelo furacão de sentimentos que a arrebatava todas as vezes, todos os dias. A confusão faz bem, pensava, porque eu preciso dela como prova. Prova de quê, não sabia dizer, mas a certeza que tinha era da necessidade de provar.
Alice não morreu. E não soube dizer o porque. Talvez porque havia algo dentro dela lutando para reaparecer. Não sabia quem venceria essa batalha, mas queria, por teimosia, que sua luz vencesse. E pra isso, queria encher seu coração de chamas. Mas faltavam-lhe forças para riscar o fósforo.