segunda-feira, 8 de agosto de 2022

insensível. como se o coração nos pulsos não fosse o suficiente pra justificar minha existência, preciso comprovar certo grau de sensibilidade pra explicar minhas decisões. e as não decisões. em algum momento, se já não agora, a exaustão irá sequestrar minha alma e não sei até que ponto poderei suportar em silêncio. esse mesmo silêncio me rasga por dentro, e apesar de estratégico, me suga todo pouco de energia que ainda possuo. mas sigo dando conta de tudo que me cabe, pelo menos até a explosão, que não parece tão distante neste momento. 

só espero não me machucar nesse processo, não suportaria remendar a alma toda de novo. não me vendo, não me troco, mas é cansativo.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

 na bruma leve das paixões que vem de dentro, eu não sei se tu vens chegando, ou se chegará, ou se existe. o turbilhão de sentimentos sossegou, e não sei entender se faz sentido tudo isso. o caos interno, virou quietude. será isso a tão sonhada paz que se fala? não pode ser, o caos sempre foi meu amor mais profundo e duradouro. acabou? ou é só o começo de algo que vai me transmutar no que eu realmente quero e preciso ser? minha parte controladora adoraria ter todas as respostas, mas a Alice, que ainda permanece aqui dentro, me diz que todo caminho é um caminho bom se não sei o destino. e talvez eu precise não saber, por um tempo. o não saber já me tornou muitas coisas, agora vai me tornar a junção do meu eu com meus comigos. eu espero, eu acredito, eu vou.

sábado, 2 de abril de 2022

intenso

sentir muito, perceber muito, doer muito, machucar muito. tudo é demais, absurdamente demais. por vezes quis voltar no tempo, pra explicar que eu não queria machucar, nem a mim nem a ninguém, porque eu simplesmente não sabia desligar essa intensidade toda. hoje já não sei se quero que ela realmente desligue. o não sentir já foi um grande desejo desta que vos fala, mas não cabe mais. eu preciso sentir,  permitir sentir, estar presente. e estando presente, posso lidar melhor com essa montanha de sentimentos que me habita. montanha essa que está marcada na pele, pra nunca esquecer a sua importância. sou uma montanha de sentimentos. e eles são válidos demais pra serem apagados, escondidos ou esquecidos.

tenho muito medo dos caminhos possivelmente tortuosos que essa intensidade toda vai seguir me levando. mas sei de uma coisa: que gostoso é perceber alguém parecido. intenso tal qual você, e ao mesmo tempo tão tão tão diferente. acho que conhecer pessoas é isso: reconhecer pedacinhos delas que façam sentido e que possam ser acalanto ao nosso coração.
penso muito, penso o tempo todo sobre absolutamente tudo, penso que se falasse tudo que penso não pensaria mais nada. e esse pensar me deixa completamente atordoada dentro do caos que o terreno (não mais baldio) da minha mente passou a ser. ainda não consigo mensurar de que forma esse pensamento vem afetando meu cotidiano, meu estar presente, minha existência. mas tenho certeza de que, cedo ou tarde, conseguirei entender os motivos de tudo isso. mesmo que o motivo seja não ter motivo, porque viver é uma bagunça, não tem sentido. e tá tudo bem, continua tudo bem, apesar de pensar muito, pensar o tempo todo, pensar em falar mas calar.

terça-feira, 4 de maio de 2021

 a sinestesia mudou tão rapidamente que perdi o fôlego. não sei se há responsabilidade de alguém com relação a isso, mas aconteceu. não sei se consigo distinguir o estar bem com estar anestesiada. mas, ao mesmo tempo, achei que se isso acontecesse eu perderia completamente minha fé na entrega. e, apesar dos momentos iniciais em que a tentativa foi de se desesperar com calma, a fé permanece intacta. caramba, o lembrete diário de ser quem sou tem funcionado. e sendo bem honesta, o laranja reapareceu (como amor antigo, permanece). com alguns pedaços de mim espalhados por caminhos que não necessariamente voltarei a trilhar, o laranja me ilumina.

não sei por quanto tempo, mas tem me fortalecido. não sou muralha, mas me mantenho inteira. até que alguém tome meu coração nas mãos novamente. e eu queria tanto que esse alguém fosse eu, permanentemente. mas vezenquando alguém vai trazer encanto pra vida, e tá tudo bem. isso sim, posso afirmar com certeza que está bem.

sábado, 1 de maio de 2021

 a sinestesia toma conta de minha mente, e não sei mais dissociar as cores que vejo, os cheiros que percebo, de tudo o que sinto. talvez me tornei uma acumuladora de sentimentos, porque certas sensações são difíceis de serem deixadas de lado. mas a vida e as cores me ensinaram que é possível organizar esses sentimentos pra que não sejam tão latentes. e das mil opções que pude escolher (ou ser escolhida), hoje estou azul. independente do que isso significa efetivamente, sou azul. e já não dói tanto reconhecer isso. que a sinestesia que me trouxe o azul, possa trazer a você também. ele é lindo visto daqui.

um mundo inteirinho azul e o menino azul incluído. que ironia do destino, pra quem sempre preferiu o laranja. deixa as cores virem como devem vir, cada qual a seu tempo, digo a mim mesma. como quem precisa de um lembrete constante que a entrega assusta, mas vale a pena.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Alice (parte dois)

Alice agarrou-se ao que conhecia, afim de não perder-se no universo de existências. Havia aceitado seu destino: iria morrer. Mas algo aconteceu, que nossa pequena não soube explicar para todas as milhões de pessoas que a indagaram: até que ponto você se desfez e pôde retornar? Não soube dizer, mas sentia. Profundamente, claramente, sentia. E isso bastava para provar que permanecia, que tinha significação; que no fim, ainda tinha a sua existência. Seus diversos mundos ainda eram atrativos a ela, mas estavam diferentes. Até que ponto a jovem conseguiria suportar novamente o peso em suas costas? Não poderia assumir novamente esse compromisso, não depois do que sentiu em sua pele. E agora, marcada pelo tempo, se questionava os porquês de ainda permanecer.

Tudo era muito confuso para Alice. Tinha um universo inteiro à sua disposição, mas não havia coragem alguma para decidir o que queria, e isso a assustava. O mundo pertence aos corajosos, pensava, e questionava de si para si onde poderia fincar raízes. Apesar de tudo que viveu, nossa menina ainda queria pertencer. Precisava, com todas suas forças, construir o que viria a chamar de seu pequeno espaço no mundo. Achava que, se ocupasse muito espaço, incomodaria a todos. E por isso, novamente aceitava a sua pequenez, escolhendo se encaixar da maneira que fosse, pra não se perder novamente. 

As vozes ainda estavam ali, à espreita de um tropeço no caminho de Alice, para tomar conta de si novamente. Esse processo era inconsciente a algum tempo e mesmo assim, a menina não havia se acostumado. Seu mundo seguia sendo vários, pois não conseguia (não queria) estabelecer um rumo certo. E permitia que seus diversos eus tomassem a frente, por falta de opção. No fundo, ela gostaria que as coisas fossem mais simples. Mas pra quem tem o coração em pedaços, nunca é. Alice sentia demais, e por isso permanecia, sem necessariamente permanecer. Tudo ainda era muito confuso, e Alice aceitou a confusão. Abraçou-a para não ser engolida pelo furacão de sentimentos que a arrebatava todas as vezes, todos os dias. A confusão faz bem, pensava, porque eu preciso dela como prova. Prova de quê, não sabia dizer, mas a certeza que tinha era da necessidade de provar. 

Alice não morreu. E não soube dizer o porque. Talvez porque havia algo dentro dela lutando para reaparecer. Não sabia quem venceria essa batalha, mas queria, por teimosia, que sua luz vencesse. E pra isso, queria encher seu coração de chamas. Mas faltavam-lhe forças para riscar o fósforo.