A visão é limitada por uma dupla fronteira: a luz intensa que cega e a escuridão total. Talvez seja daí que vem sua repugnância por todo extremismo. Os extremos delimitam a fronteira para além da qual a vida termina, e a paixão pelo extremismo, tanto em arte como em política, é um desejo de morte disfarçado. [...] Quanto mais o homem cresce na sua escuridão interior, mais encolhe em sua aparência física. Um homem com olhos fechados é um destroço de si mesmo. [...] Para ela, essa escuridão não significa o infinito, mas apenas um divórcio daquilo que vê, a negação do que é visto, a recusa de enxergar.
(a insustentável leveza do ser_Milan Kundera)
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